Thursday, January 20, 2005

Nova técnica permite avaliar a real prioridade das tarefas

Maria Fernanda Delmas

SÃO PAULO. Nada daquela imagem de ritmo frenético de trabalho inadiável. Apenas 48% do tempo dos funcionários de empresas americanas são dedicados a questões realmente prioritárias. Por isso, um dos maiores desafios das corporações é gerenciar esse tempo, alerta o consultor Roger Merrill, da americana FranklinCovey. A empresa aplicou às companhias dos Estados Unidos, com a colaboração da empresa de pesquisas Harris Survey, uma ferramenta que batizou em inglês de XQ — quociente de execução, uma alusão ao QI (quociente de inteligência).
Apesar de o Brasil não ter sido objeto de estudo semelhante ainda, Merrill diz que uma projeção da pesquisa americana revelaria um percentual bastante semelhante. A FranklinCovey já começou a aplicar a ferramenta no país. O consultor prega o equilíbrio e a racionalização do tempo, enquanto elogia a tradição do brasileiro de valorizar a família:
— O Brasil pode dar o exemplo de que é possível crescer sem perder esses valores.
‘Líder de qualidade deve ter excelente caráter’
Uma das saídas para as empresas, além de encorajar os funcionários a fixarem prioridades, é apostar na formação de líderes de qualidade, que dêem um bom exemplo.
— As pessoas tendem a se dividir em vítimas, que só se queixam, e líderes, que querem fazer a diferença para a empresa. E um líder deve ter excelente caráter — ensina o consultor, que participou ontem, com outros pesos-pesados da administração, da Expo Management World, em São Paulo.
O desafio é ainda maior em tempos de internet, quando a informação está mais disponível do que nunca. Outro consultor, Regis McKenna, especialista em marketing no Vale do Silício, prevê que haverá cada vez mais difusão da tecnologia da informação (TI) em todos os escalões das empresas, para melhorar a educação e reduzir os custos. Mas é preciso debater quão abertos devem ser os bancos de dados das empresas e descobrir quem vai pagar a conta de uma informação que circula tão livremente.

O Globo - 09/11/04

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