Friday, October 08, 2004

Ação pela resistência iraquiana em Curitiba

Joice Hasselmann
Especial para O GLOBO

CURITIBA. Brasileiros e árabes unidos pelo Iraque. Todo sábado, um grupo de cerca de 20 pessoas se reúne na Avenida 15 de Novembro, na Boca Maldita — popular bairro do centro de Curitiba — para chamar a atenção em favor dos iraquianos que lutam pela resistência à ocupação americana. Os ativistas, que integram o Comitê de Solidariedade ao Iraque, expõem fotos de homens, crianças e mulheres identificados como vítimas de ataques das forças americanas.
Mais de dez mil pessoas passam aos sábados pela exposição ao ar livre. A intenção, de acordo com o grupo, é sensibilizar a população para “o horror da guerra”. Eles também expõem cartazes que anunciam ações da resistência iraquiana e distribuem folhetos que convocam a população a aderir à causa.
As ações do grupo chegaram a escolas e bibliotecas de Curitiba. Os ativistas já foram aos oito maiores colégios da capital paranaense e deverão visitar mais quatro esta semana. A intenção é levar as imagens aos adolescentes, que eles consideram “mais revolucionários e solidários por natureza”.
Uma grande exposição foi realizada durante uma semana na Biblioteca Pública do estado, local visitado diariamente por três mil estudantes. O próximo passo é um concurso de redação nas escolas, incentivando a solidariedade internacional, especificamente aos iraquianos.

Políticos e sindicalistas aderem ao movimento
À frente da campanha estão os empresários José Gil de Almeida e Mouthi Ibrahim, presidente da Associação Árabe-Brasileira em Curitiba. As manifestações de apoio não param. Políticos, sindicalistas, estudantes e comerciantes já aderiram. Muitos se revezam nas atividades e contribuem para a manutenção do comitê, a revelação de fotos e o financiamento de viagens.
Outra fonte de renda é a venda de camisetas. Todo sábado, pelo menos cem são vendidas. Algumas têm estampas de guerrilheiros iraquianos em ação contra soldados americanos. As mais disputadas são as que mostram membros da resistência armados.
— Não queremos ganhar dinheiro. Todos somos voluntários, mas precisamos expandir e mostrar que a guerra não é boa para ninguém — diz Ibrahim.

O Globo - 03/10/04

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